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Artigos Científicos

Hepatopatias Graves

As hepatopatias graves compreendem um grupo de doenças que atingem o fígado, de forma primária ou secundária, com evolução aguda ou crônica, ocasionando alteração estrutural extensa e intensa progressiva e grave deficiência funcional, além de incapacidade para atividades laborativas e risco de vida. 

Características 42.1. Constituem características das hepatopatias graves: Quadro clínico: a) emagrecimento; b) icterícia; c) ascite; d) edemas periféricos; e) fenômenos hemorrágicos; f) alterações cutaneomucosas sugestivas: aranhas vasculares, eritema palmar, queda dos pêlos, sufusões hemorrágicas, mucosas hipocoradas; e g) alterações neuropsiquiátricas de encefalopatia hepática. Quadro laboratorial: a) alterações hematológicas: 1) pancitopenia (completa ou parcial); anemia, leucopenia e trombocitopenia; e 2) distúrbios da coagulação: hipoprotrombinemia e queda dos fatores da coagulação (V, VII, fibrinogênio); b) alterações bioquímicas: 1) hipoglicemia predominante; 2) hipocolesterolemia; e 3) hiponatremia; c) testes de avaliação hepática alterados: 1) retenção de bilirrubinas; 2) transaminases elevadas; 3) fosfatase alcalina e gama-GT elevadas; e 4) albumina reduzida. Nos exames de imagem são observadas as seguintes alterações: a) ultra-sonografia: alterações estruturais do fígado e baço, ascite, dilatação das veias do sistema porta; b) tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética abdominal: alterações dependentes da doença primária; c) endoscopia digestiva alta: presença de varizes esofagianas e de gastropatia hipertensiva; e d) cintilografia hepática: redução da captação hepática, forma heterogênea, com aumento da captação esplênica e na medula óssea. Classificação A insuficiência hepática desenvolve-se em conseqüência da perda de massa celular funcionante, decorrente da necrose causada por doenças infecciosas, inflamatórias, tóxicas, alérgicas, infiltrativas, tumorais, vasculares ou por obstrução do fluxo biliar. A gravidade do comprometimento funcional é graduada, com finalidade prognóstica, em tabela universalmente aceita, conhecida como Classificação de Child-Turcotte-Pugh, nela considerados cinco indicadores:, De acordo com o total de pontos obtidos, os prognósticos dividem-se em: Os indivíduos situados na Classe A têm bom prognóstico de sobrevida, habitualmente acima de 5 (cinco) anos, enquanto os da Classe C têm mau prognóstico, possivelmente menor que 1 (um) ano. A encefalopatia hepática, também denominada encefalopatia portossistêmica, incluída na tabela constante do item 44.2 destas Normas, obedece à seguinte gradação: a) Subclínica: alteração em testes psicométricos; b) Estágio 1: desatenção, irritabilidade, alterações da personalidade, tremores periféricos e incoordenação motora; c) Estágio 2: sonolência, redução da memória, alterações do comportamento, tremores, fala arrastada, ataxia; d) Estágio 3: confusão, desorientação, amnésia, sonolência, nistagmo, hiporrefexia e rigidez muscular; e e) Estágio 4: coma, midríase e postura de descerebração, arreflexia. A pontuação leve na Tabela de Child inclui os Estágios Subclínico, 1 e 2, enquanto a pontuação grave os Estágios 3 e 4. São causas etiológicas das hepatopatias graves: a) hepatites fulminantes: virais, tóxicas, metabólicas, auto-imunes, vasculares; b) cirroses hepáticas: virais, tóxicas, metabólicas, auto-imunes, vasculares; c) doenças parasitárias e granulomatosas; d) tumores hepáticos malignos: primários ou metastáticos; e) doenças hepatobiliares e da vesícula biliar levando a cirrose biliar secundária. Normas de Procedimento das Juntas de Inspeção de Saúde – Hepatopatias Graves As hepatopatias classificadas na Classe A de Child não são consideradas graves. As hepatopatias classificadas na Classe B de Child, quando houver presença de ascite e/ou encefalopatia de forma recidivante, serão consideradas como hepatopatia grave. As hepatopatias classificadas na Classe C de Child serão enquadradas como hepatopatia grave. Como é possível a regressão de classes mais graves para menos graves com tratamento específico, o tempo de acompanhamento em licença para tratamento de saúde pelas Juntas de Inspeção de Saúde deverá estender-se até 24 (vinte e quatro)meses. Os indivíduos que desenvolveram formas fulminantes ou subfulminantes de hepatite e foram submetidos a transplante hepático de urgência serão considerados como incapacitados temporários, sendo acompanhados em licença para tratamento de saúde pelas Juntas de Inspeção de Saúde por até 24 (vinte e quatro) meses. Os laudos das Juntas de Inspeção de Saúde deverão conter, obrigatoriamente, os diagnósticos anatomopatológico, etiológico e funcional, com a afirmativa ou negativa de tratar-se de hepatopatia grave. O diagnóstico anatomopatológico poderá ser dispensado nos casos de contra-indicação médica formalizada, a exemplo das coagulopatias, sendo substituído por outros exames que possam comprovar e caracterizar a gravidade do quadro. Para o diagnóstico do hepatocarcinoma a comprovação histológica obtida pela biópsia pode ser substituída pela presença de elevados níveis séricos de alfa-fetoproteína (mais de 400 ng/ml) e alterações típicas no eco-Doppler, na tomografia computadorizada helicoidal ou retenção do lipiodol após arteriografia seletiva, em indivíduos com condições predisponentes para o hepatocarcinoma: cirroses, doenças metabólicas congênitas, portadores de vírus B e C, alcoólatras. Fonte: Manual do Ministério da Defesa